segunda-feira, 2 de junho de 2008

Um elefante branco incomoda muita gente

Um grande, sujo e desengonçado elefante branco está prestes a despertar de seu largo sono e promete trazer muitos incômodos financeiros e de segurança ao Brasil. O Programa Nuclear Brasileiro (PNB), congelado há duas décadas por falta de dinheiro, tarifa competitiva ao consumidor e soluções para os rejeitos radioativos, foi reativado no ano passado com o anúncio da construção da usina nuclear Angra 3 sem que o governo brasileiro tenha respondido satisfatoriamente à sociedade como vai resolver as muitas questões ainda pendentes.
As autoridades podem até tentar camuflar os altos custos de construção, manutenção, seguro contra acidentes e descomissionamento (desmontagem e armazenamento de todos os componentes radioativos) de Angra 3 , mas no que depender do Greenpeace, o governo vai ter que se explicar. Com o lançamento do relatório:” Elefante Branco: os verdadeiros custos da energia nuclear”, o Greenpeace revela à sociedade o que são os consumidores de energia que vão pagar o altos custos da aventura nuclear brasileira, por meio dos muitos subsídios que Angra 3 demandará para entrar em funcionamento – sem falar no impacto ambiental de incalculável proporções.
O relatório, lançado no mês de março, é baseado em um estudo econômico encomendado pelo Greenpeace a especialistas vinculados à Universidade de São Paulo (USP) para decifrar a matemática usada pelo governo para apresentar Angra 3 como um empreendimento economicamente viável. O que o relatório aponta é justamente o contrário: o projeto de construção da terceira usina nuclear brasileira se baseia em premissas financeiras irreais e ignora fatores fundamentais de segurança e custos de manutenção e de armazenamento de lixo radioativo. O elefante branco foi maquiado para parecer apetitoso à iniciativa privada e aos consumidores de energia. Não é uma coisa nem outra. A construção das usinas angra 1 e Angra 2 foi marcado por atraso no cronograma, orçamento bilionário estourado e total falta de transparência governamental, algo que é bem comum em todos os projetos nucleares realizados mundo afora.
O governo ocultou gigantescos subsídios para tornar o projeto competitivo no mercado energético nacional. Em outras palavras: dinheiro público que poderia estar sendo usado em projetos mais limpos e segurar, com o de energia eólica ou pequenas centrais elétricas (PCHs), está sendo enterrado em um empreendimento caro e perigoso, que não se sustenta dos pontos de vista energético ou financeiro e ainda impede o desenvolvimento de um mercado de energias renováveis no país. O Brasil tem um imenso potencial para fontes alternativas de energia, mercado em franca expansão em todo o mundo graças a incentivos governamentais. Se o governo brasileiro investir bilhões de reais num projeto Angra 3, podemos perder o bonde da história e ficar para trás no desenvolvimento desse mercado limpo e renovável de geração de energia.


Um Abraço!


Victor Alexim

Nenhum comentário: